‘Alucinações Parciais” no Tomie Othake - Galeria22
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‘Alucinações Parciais” no Tomie Othake

‘Alucinações Parciais” no Tomie Othake

Ao realizar Alucinações Parciais, nome inspirado na obra de Salvador Dalí presente na mostra, o Instituto Tomie e o Centre Pompidou inovam ao proporem uma “exposição-escola” com obras-primas de vinte artistas modernistas maiores do Brasil e do mundo. O novo formato pretende oferecer uma experiência em que o público possa se aproximar ainda mais dos trabalhos, de seus respectivos autores e do histórico movimento.

O conceito de “exposição-escola” se explicita no próprio desenho do espaço expositivo, em que uma arena-auditório central receberá uma intensa programação. Durante todo o período em que a mostra estiver em cartaz, o Instituto Tomie Ohtake promoverá diariamente debates, aulas, palestras, workshops, performances, ateliês e visitas orientadas a fim de estabelecer trocas com o público para aprofundar, investigar e resignificar narrativas relativas ao marcante período da história da arte no século XX. A programação completa, com mais de 150 atividades, pode ser conferida no site: www.institutotomieohtake.org.br. A proposta vai ao encontro da intenção do Instituto de difundir obras e contextos artísticos de grande relevância e abrir caminhos para o debate crítico e a atualização do sentido histórico de cada época.

 

Concebida por meio de um diálogo entre os curadores Fréderic Paul, do Centre Pompidou, e curador da exposição e Paulo Miyada, do Instituto Tomie Ohtake e curador adjunto da mostra, a coletiva pretende esgarçar a discussão sobre o modernismo europeu e brasileiro com 10 obras-primas de nomes históricos, pertencentes ao Centre Pompidou, que raramente saíram de seu acervo, e de 10 de artistas brasileiros, provenientes das coleções do MASP, Pinacoteca, Museu de Belas Artes- RJ e particulares. O curador do Instituto Tomie Ohtake ressalta que a quantidade enxuta de obras torna a narrativa histórica da exposição explicitamente lacunar, mas, em contrapartida, propõe desafios sobre como se dará a apreensão do público neste formato.

No conjunto do Centre Pompidou estão os artistas e as respectivas obras: Fernand Léger, Adeus Nova York, 1946; Georges Braque, Natureza-morta com violino, 1911; Henri Matisse, Ponte Saint –Michel, c.c 1900; Joan Miró, A Sesta, 1925; Man Ray, Uma noite em Saint-Jean-de-Luz, 1929; Pablo Picasso, Arlequim, 1923; Paul Klee, Rítmico, 1930; Robert Delaunay, Torre Eiffel, 1926; Savador Dali, Alucinação parcial. Seis imagens de Lenin sobre um piano, 1931; Vassily Kandinsky, Quadro com Mancha Vermelha, 1914.

Anita Malfati, A estudante, 1915-16

Já na seleção de brasileiros estão as pinturas de Anita Malfati, A estudante, 1915-16, e O lavrador de café, 1939, de Cândido Portinari; três aquarelas de Cícero Dias, Sonho Tropical, 1929, Sem título, 1928, e Fábula, década de 20; escultura de Maria Martins, Tamba-tajá, 1945; a tela de Vicente do Rego Monteiro, Atirador de Arco, 1925; o óleo de Flávio de Carvalho, Ascensão definitiva de Cristo, 1932; o retrato Lea e Maura, 1940, de Alberto da Veiga Guignard; e as obras Menino com lagartixa, 1924, A Feira II, 1925, e  Sem título (autorretrato  com Adalgisa), 1925, de Lasar Segall, Tarsila do Amaral e Ismael Nery, respectivamente.

Segundo os curadores, a exposição experimenta uma abordagem no cerne do modernismo europeu e brasileiro, quando Paris ocupava o lugar central em uma rede cultural global que se estabelecia através de intercâmbios, contaminações e misturas. “Quão forte é o laço que consegue produzir algum ponto de contato entre o russo Kandinsky e a paulistana Malfatti? Como pode um artista, como Rego Monteiro, ou Picasso, ser simultaneamente exótico e exoticizante, dependendo de onde os olhamos? O que fazer com a formação vanguardista e a trajetória emigrante de, digamos, Lasar Segall (ou, no sentido inverso, de Man Ray)?”, indaga Miyada.

O Lavrador de Café ,1939

Por sua vez, Fréderic Paul defende que o rigor científico exigido na construção didática da história da arte, pode passar ao largo das obras, ao deixar zonas de sombra entre datas e citações. “As obras, sobretudo as mais importantes, nunca se nos mostram tais quais são. Estão plasmadas pela história e por histórias que as tornam visíveis”, diz, parafraseando Paul Klee.

PROGRAMAÇÃO

O Núcleo de Cultura e Participação e o Núcleo de Pesquisa e Curadoria desenvolveram uma ampla programação para a exposição Alucinações Parciais. As propostas foram desenvolvidas visando à diversidade de formatos e públicos, chegando a um conjunto que contempla ações teóricas, práticas e experimentais, divididas em seis categorias: Conversas & reflexões, Ações para educadores, Ateliês, Performatividades, Mediações e Alucinações coletivas. Além dessa programação, teremos recursos acessíveis, como textos em braille, videolibras, audiodescrição e algumas ações com intérprete de LIBRAS.

CONVERSAS

Menino com lagartixa, Segall

Conversa com os curadores da exposição
Conversa com os curadores Frédéric Paul (Centre Georges Pompidou) e Paulo Miyada (Instituto Tomie Ohtake) a respeito das obras selecionadas e do conceito de exposição-escola.
sábado | 7 de abril 11h
Sem inscrição prévia | espaço comporta 40 pessoas | sujeito a lotação

O que é?
Muitos dos pressupostos que norteiam uma exposição não ficam evidentes diretamente ao público. O propósito dessa série de conversas é convidar os visitantes a refletirem sobre algumas das questões fundamentais que permeiam uma exposição desde como se formam as coleções, o que define uma obra-prima, como se pensa a noção de vanguarda artística, entre outras

Arlequim, 1923

20/4 das 14h30 às 16h | O que é uma coleção?, com Magnólia Costa, mediada por Luise Malmaceda
Magnólia Costa é doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo, ensaísta, tradutora, crítica de arte, curadora e professora de história da arte. Leciona no Museu de Arte Moderna de São Paulo desde 2000, onde também atua como Relações Institucionais.Luise Malmaceda é mestra em Estética e História da Arte pela USP, especialista em História da Arte pela FAAP e graduada em Artes Visuais pela UFRGS. Atuou como educadora e pesquisadora na Fundação Iberê Camargo e na Fundação Vera Chaves Barcellos. Foi editora da revista Harper’s Bazaar Art e, atualmente, integra o Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake.

04/05 das 14h30 às 16h | O que é arte moderna? Vanguardas e movimentos, com Mauricio Puls, mediado por Theo Monteiro
Mauricio Puls é formado em Ciências Sociais e em História da Arte pela FAAP. Foi professor na Universidade Federal de Ouro Preto e nas FMU. Colaborou na Folha de São Paulo e na Revista Brasileiros e, atualmente, é editor assistente da Revista 451.
Theo Monteiro Farias é formado em História pela USP. Estudante de mestrado em História Social pela mesma universidade, trabalhou nas revistas Arte Brasileiros e Carta na Escola. Integra o Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake desde 2016.
18/05 das 14h30 às 16h | O que é arte moderna? Manifestos e literatura, com Sônia Régis Barreto, mediada por Carolina De Angelis
Sonia Régis é mestra e doutora pela PUC-SP, escritora e crítica de arte. É professora do Departamento de Arte da PUC-SP.
Carolina De Angelis é graduada em Arte: história, crítica e curadoria pela PUC-SP. Desde 2013 integra o Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake em que, atualmente, atua como curadora associada, responsável pela elaboração de novos projetos para captação de recursos e colabora na realização de exposições.


01/06 das 14h30 às 16h | O que é uma obra-prima?, com Taisa Palhares, mediada por Priscyla Gomes
Taisa Palhares é doutora e mestra em Filosofia pela USP, atua nas áreas de estética e artes visuais. Foi pesquisadora e curadora na Pinacoteca do Estado de São Paulo de 2003 a 2015. Atualmente é professora no Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UNICAMP.
Priscyla Gomes é mestra em Teoria e História das Artes pela USP, possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP e, atualmente, cursa Psicanálise no Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP). É curadora associada do Instituto Tomie Ohtake, integrando seu Núcleo de Pesquisa e Curadoria desde 2013.

Conversas em fluxo: Contraposições

Conversas e debates que buscam tensionar os discursos consolidados sobre a arte moderna, analisando-os especialmente sob a perspectiva das teorias pós-coloniais.25/04 das 19h às 21h | Conversas em fluxo, com Renato Janine
Renato Janine Ribeiro é professor de filosofia, cientista político, escritor e colunista brasileiro. Foi ministro da Educação do Brasil entre abril e setembro de 2015.

09/05 das 19h às 21h | Identidade brasileira para além do projeto modernista, com Salloma Salomão
Salloma Salomão é músico, pesquisador, africanista e doutor em História Social pela PUC-SP, pesquisador-educador, letrista, vocalista e flautista. Foi pesquisador visitante do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, pesquisando culturas musicais africanas no Brasil nos séculos XIX e XX.

23/05 das 19h às 21h | O modernismo não hegemônico das micronarrativas, com Mirtes Marins de Oliveira
Mirtes Marins de Oliveira é graduada em Artes Plásticas pela ECA-USP, mestra e doutora em Educação: História, Política e Sociedade pela PUC-SP. Atua como docente na área de artes plásticas desde 1991.

06/06 das 19h às 21h | Modernidades: Identidades, territórios e política, com Julia Buenaventura
Julia Buenaventura é crítica e historiadora da arte com foco na América Latina. Doutora em Arquitetura e Urbanismo pela USP e mestra em História e Teoria da Arte e da Arquitetura pela Universidade Nacional de Colômbia.. Entre 2016 e 2018, desenvolveu uma pesquisa comparativa sobre as diferentes histórias da arte na América Latina no século XX, na ECA-USP. Atualmente é professora na Universidade de Los Andes (Bogotá).

Contextos modernistas, com Olívio Tavares de Araújo
Conversas com o curador Olívio Tavares de Araújo. Em cada encontro, serão tecidas relações entre o contexto da arte moderna, psicanálise, música ou literatura.

11/05  das 16h às 17h30 | Grandes mudanças na música
25/05 das 16h às 17h30 | Literatos como teóricos e críticos de arte
8/06 das 16h às 17h30 | Modernismo brasileiro e psicanálise

Olívio Tavares de Araujo é empresário, crítico de artes visuais, curador, colecionador, documentarista, jornalista, crítico de música e cineasta. Realizou mais de trinta curtas-metragens, boa parte sobre o processo criativo de artistas plásticos brasileiros.

Arte moderna em contexto, com Francisco Alambert

De caráter introdutório, o curso visa apresentar as vanguardas artísticas do início do século XX, bem como as transformações sociais que fomentaram renovações nos modos de fazer e pensar a arte. Serão percorridos os principais movimentos emergentes na Europa e no Brasil, analisando a produção plástica e as aspirações estéticas de artistas, poetas e críticos de arte.

terças | 10/4, 17/4, 24/4, 8/5, 15/5, 22/5, 29/5 e 5/6
19h30 às 21h
40 vagas
Inscrição pelo site do Instituto a partir de 28/3

Francisco Alambert é doutor em História pela Universidade de São Paulo, onde leciona História Social da Arte e História Contemporânea. Possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e mestrado em História Social pela Universidade de São Paulo. Foi conselheiro do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico.

Flávio de Carvalho: personalidade inquietante, com Aracy Amaral

Quinta | 17/5 | 19h
Sem inscrição prévia | espaço comporta 40 pessoas | sujeito a lotação

Aracy Amaral é historiadora, curadora e crítica de arte. Foi diretora da Pinacoteca do estado de São Paulo, entre 1975 e 1979, e do MAC-USP, de 1982 a 1986. Foi também professora-titular de História da Arte pela FAU-USP.

Fonte: Site Arte/ Ref