Iberê Camargo - Galeria22
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Iberê Camargo

Iberê Camargo (1914 – 1994)

Iberê Camargo iniciou seus estudos ainda no Rio Grande do sul, na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria, com Parlagreco e Frederico Lobe. Já em Porto Alegre estudou pintura com João Fahrion. Em 1942 ele chegou ao Rio de Janeiro, onde cursou a Escola Nacional de Belas Artes. Mas, insatisfeito com a metodologia ali adotada, juntou-se a outros artistas, também insatisfeitos, e com seu professor de gravura, Alberto da Veiga Guignard, para fundar o “Grupo Guignard”. Em 1953 tornou-se professor de gravura no Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro, lecionando mais tarde essa técnica em seu próprio ateliê ou em permanências mais ou menos longas em Porto Alegre e em outras cidades, inclusive do exterior. Em Porto Alegre, foi um dos grandes incentivadores do Atelier Livre.

Embora Camargo tenha estudado com figuras marcantes representativas de variadas correntes estéticas e formas de vista, não se pode afirmar que tenha se filiado a alguma. Suas obras estiveram presentes, e sempre reapresentadas, em grandes exposições pelo mundo inteiro, como na Bienal de São Paulo e na Bienal de Veneza. Iberê Camargo foi uma grande referencia para a arte gaúcha e brasileira em geral.

Prisão

No dia 5 de dezembro de 1980 ocorreu uma tragédia na vida de Iberê Camargo. O pintor matou a tiros o engenheiro Sérgio Alexandre Esteves Areal, de 32 anos. Uma versão diz que o homem discutia com uma mulher quando Camargo se intrometeu. Após uma luta, o pintor teria atirado no engenheiro. Segundo a Fundação Iberê Camargo, ele passou um mês preso e foi absolvido por legítima defesa. 1 Ao ser absolvido, em 1982, ele volta a viver em Porto Alegre. A pintura que começa a fazer depois ganha tom dramático. A princípio, insere figuras humanas que convivem, em grandes telas, com signos mais corriqueiros de sua obra. Ele se retrata em meio a carretéis e cubos.

Vida pessoal

Iberê Camargo não gostava de cachorros nem de crianças e teve apenas uma filha, Gerci, fruto de um romance passageiro na década de 1944. Gerci Camargo deu-lhe dois netos, Carlos Iberê e Doralice, e três bisnetos, Roberta, Fernando e Maissa. Iberê renovou as amizades, mas encontrou o verdadeiro companheirismo em 1983, no gato Martim, o seu “cucuruco”, como o chamava. O pintor colocava o bichano no bolso do macacão enquanto preparava seus quadros e fazia questão de que sua esposa, Maria Coussirat Camargo, pusesse um prato de comida para o gato na mesa de jantar. “O animal é melhor do que o homem, que hoje come na tua mesa e amanhã te faz velhacaria”, comparava.

Fundação

Em 1995, no ano seguinte à sua morte, foi criada a Fundação Iberê Camargo, com sede na antiga moradia do artista, no bairro Nonoai, para conservar, catalogar e promover obra de Iberê. Mais tarde, a sede mudou-se para o bairro Cristal, em um prédio projetado pelo renomado arquiteto português Álvaro Siza.