Especialistas confirmaram que uma pintura descoberta por jardineiros escondidos na parede de um museu de arte italiano é uma obra de Gustav Klimt. A pintura, que teria sido roubada do museu há 24 anos, pode nunca ter saído de casa. Ela será exibida depois que for de examinada, na busca de evidências de seu misterioso roubo.

A obra, que estava desaparecida desde fevereiro de 1997, foi encontrada em 10 de dezembro pelos jardineiros, ao retirar a hera das paredes da Galeria de Arte Moderna Ricci Oddi, em Piacenza. A tela estava oculta em uma alcova escondida atrás de um painel de metal.

Especialistas em conservação relatam que a pintura está em boas condições, apesar das condições de armazenamento inferiores às ideais. Há um arranhão na tela, que provavelmente ocorreu quando o retrato foi removido de sua moldura.

Em uma reviravolta na história, os especialistas conseguiram autenticar o trabalho, porque Klimt pintou  Retrato de uma dama (1917) em cima de uma tela mais antiga que também apresentava uma jovem elegante. 

Em meio às comemorações diante da recuperação da obra, várias perguntas permanecem sem resposta, incluindo a identidade do ladrão e se a pintura deixou, de fato, a propriedade do museu. Autoridades estudam vestígios de material orgânico encontrado na tela recuperada, na esperança de que isso os leve a uma resposta.

A chave para a verificação da obra de arte roubada foi a existência de selos confirmando seu histórico de exibição na parte de trás da tela, bem como análises de infravermelho e raios-X mostrando a existência de uma pintura anterior por baixo.

No ano anterior ao desaparecimento da pintura, um estudante de arte com olhos de águia havia observado semelhanças entre essa obra de Klimt e outra pintura do mestre austríaco, que se pensava ter sido perdida há muito tempo. A sobreposição de Retrato de uma dama com a fotografia de uma obra de 1912, reproduzida em um volume da Classici dell’Arte Rizzoli, revelou semelhanças impressionantes. Nas duas pinturas, Klimt representa uma mulher com a mesma pose, embora a versão anterior a usasse com chapéu e cachecol, em oposição ao retrato final. As observações do aluno tiveram mérito reconhecido e a presença de uma pintura por baixo foi essencial para autenticar o trabalho.

Enquanto outros artistas costumavam reutilizar telas ou desfazer versões anteriores de pinturas, esse é o único retrato duplo conhecido de Klimt. A descoberta adiciona outra camada de intriga a um conto já notável.

Klimt terminou o Retrato de uma Dama um ano antes de morrer, em 1918. A obra foi comprada em 1925 pelo colecionador de arte italiano Giuseppe Ricci Oddi.

 

(Fonte: artnet News)