Galeria22 | Siron Franco revê quatro décadas de carreira em mostra
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Siron Franco revê quatro décadas de carreira em mostra

Siron Franco revê quatro décadas de carreira em mostra

Aos 70 anos, goiano ganha exposição na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo

por Nelson Gobbi
Tela ‘Homenagem a Farnese’, da série ‘Semelhantes’ – Andrew Kemp / Divulgação

RIO — Prestes a completar 70 anos, nesta terça, Siron Franco inaugura neste sábado, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, a mostra “Siron Franco em 38 obras: 1974 a 2017”, que reúne trabalhos icônicos de sua trajetória, como telas da série “Césio”, iniciada em 1987, sob curadoria de Gottfried Stützer e Matheus Araujo de Andrade. O artista goiano prepara ainda uma retrospectiva de sua carreira, que incluirá inéditos, para daqui a dois anos.

— Como comecei muito cedo, é difícil destacar obras representativas de cada etapa, até porque comecei na pintura, mas criei em vários suportes, como a escultura e a gravura. Vejo a pintura como um grande rio, cortado por outros afluentes artísticos — diz Siron.

A mostra, em cartaz até setembro, também marca a sua volta a São Paulo, cidade onde viveu e em que não expunha há sete anos. Foi a partir do prêmio de melhor pintor brasileiro na XII Bienal Internacional de São Paulo, em 1973, que o goiano consolidou seu nome no país e no mundo.

— Fiz algumas individuais importantes na cidade há algum tempo, como a do Instituto Tomie Ohtake, em 2007, e a do Masp, em 1995, mas precisava de uma oportunidade como essa para voltar — comenta ele.

Além dos seus 70 anos, a mostra marca três décadas da série “Césio”, que terá dois de seus trabalhos expostos na Mário de Andrade. Criadas a partir da comoção gerada pelo vazamento do césio 137 em Goiânia, em 1987, as obras levaram ao mundo a tragédia das vítimas do que é considerado o maior desastre radiológico da História. Às duas telas da série soma-se o quadro “Outros gritos”, realizado dez anos depois, em que o pintor mantém a contundência contra o descaso das autoridades com a segurança da população e do meio ambiente.

— A natureza e a relação com o ambiente que nos cerca sempre foram temas que me interessaram, mas quando comecei a trabalhá-los as pessoas me chamavam de ecochato. Hoje ninguém mais ignora a importância desses assuntos — ressalta Siron, que atualmente trabalha em uma instalação formada por uma jaula de aço contendo uma garrafa de dois litros d’água. — Meu pai, que conhecia bem o Cerrado, já me falava há muitos anos: “O negócio não é o ouro, é a água”. Fico indagando se as futuras gerações terão ódio de nós, se vão nos ver como uma gente porca e violenta, que só deixou lixo de herança para eles.

‘MUDANÇA VIRÁ DA CRISE’

Engajado também em temas políticos, o goiano não esconde a decepção com o que vem acontecendo nos últimos anos na vizinha Brasília e, é claro, no restante do país.

— Estamos presenciando há algum tempo coisas inacreditáveis, tudo virou um grande balcão de negócios. Parece que não existe lugar no Brasil onde o dinheiro não fale mais alto, sobra pouca gente em quem acreditar — lamenta Siron, que, no entanto, mantém uma visão otimista para o futuro. — Agora tudo é muito difícil, mas acredito que o país vai sair melhor dessa crise, a mudança virá dela. Tenho esperança nos jovens, é preciso dar uma perspectiva para eles. Precisamos de uma certa poética para enfrentar essas situações, senão a gente adoece.

Com a mesma poética que usa para olhar o futuro, Siron faz um balanço dos 70 anos que irá completar na terça:

— Foi tudo rápido demais, quem é viciado em trabalho como eu mal consegue ver a passagem dos anos. Continuo trabalhando como sempre, estou de domingo a domingo no ateliê, chego no mais tardar às 9h da manhã. E sigo me sentindo um aprendiz, hoje desmancho mais trabalhos do que faço, aprendo diariamente com essas experiências. Desde jovem, conheci muita gente generosa, e pude crescer a partir desses encontros. Ainda tenho dúvidas sobre o meu talento, só não tenho dúvida sobre a minha sorte.

Fonte: O Globo