A exposição em Veneza reúne fotografias em grandes formatos de colagens do artista, que reproduzem pinturas de mestres antigos

Em paralelo à Bienal de Veneza, os visitantes da cidade encontram um cardápio variado de exposições paralelas. Uma delas é a individual de Vik Muniz chamada “Afterglow: Pictures of Ruins”, em cartaz no Palazzo Cini – museu que ocupa uma mansão tranquila e majestosa, entre a Galleria dell’Accademia e a Peggy Guggenheim Collection.

Esta é mais uma exposição encantadora e inventiva de Vik Muniz. Os destaques são uma série de fotografias em grandes formatos de colagens que o artista compôs a partir de pinturas de lugares antigos de artistas como Hubert Robert e Caspar David Friedrich. À distância, elas se assemelham às pinceladas descontroladamente expressionistas dos Antigos Mestres, mas vistas de perto evidenciam cada pequeno pedaço de papel, fotografia e texto utilizados por Vik Muniz.

Com curadoria de Luca Massimo Barbero, diretor do Institute of Art History, e realizada em colaboração com a Ben Brown Fine Arts de Londres, a exposição apresenta fotografias e uma escultura em vidro produzidas pelo artista em um processo que envolve a recriação de obras familiares no imaginário coletivo através de um processo bastante pessoal do artista.

Nesta exposição, ele se inspirou nas pinturas tradicionais de Veneza. A imensa quantidade de pequenos componentes destes trabalhos atordoa a experiência de olhar para eles.

Muniz também se propõe a criar uma ligação entre o primeiro e o segundo andar da galeria, ao simular as pinceladas destas pinturas célebres. Em suas colagens, ele cuidadosamente seleciona não apenas as cores, mas também imagens: sobrepostas, elas produzem um efeito tátil e físico de uma superfície impalpável.

Na esteira da tradição dos artistas do século XVII e XVIII, Muniz engenhosamente recombina vários elementos para reconstruir imagens que apelam para o subconsciente visual e convidam os espectadores a explorarem mais.

A exposição permanece em cartaz até 24 de julho.