Galeria22 | Julie Mehretu apresenta duas das maiores telas contemporâneas do mundo no SFMOMA
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Julie Mehretu apresenta duas das maiores telas contemporâneas do mundo no SFMOMA

Julie Mehretu apresenta duas das maiores telas contemporâneas do mundo no SFMOMA

Julie Mehretu apresenta duas das maiores telas contemporâneas do mundo no SFMOMA

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A artista trabalhou meses na construção das pinturas, que estrearam para o público durante este fim de semana

Quem passou pelo lobby do San Francisco Museum of Modern Art (SFMOMA) na semana passada se deparou com uma visão extraordinária: uma mulher, suspensa no ar em um elevador mecanizado, fazendo os últimos retoques das maiores e mais ambiciosas pinturas de sua carreira.

O díptico inédito de Julie Mehretu, “HOWL, eon (I, II)”, apresentado no SFMOMA em 2 de setembro, é enorme. Cada tela tem cerca de 8 metros de altura e quase 10 metros de largura – ou seja, maior do que a Última Ceia, de Leonardo, ou a Escola de Atenas, de Raphael. Juntos, eles são maiores do que O Ùltimo Julgamento, de Michelangelo.

“É uma escala histórica – não é típico dos trabalhos do nosso tempo”, diz Gary Garrels, curador de pintura e escultura do museu. “Mesmo as maiores pinturas dos expressionistas abstratos não chegam perto desta escala”.

Criados como parte do novo programa de comissionamento da SFMOMA, as telas site-specific são as primeiras obras a ocupar as gigantescas paredes acima da escada central do museu, desde que o edifício renovado reabriu no ano passado.

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O também gigantesco processo de criação

A jornada das pinturas para São Francisco foi tão épica quanto o seu tamanho. Durante 14 meses, Mehretu mudou seu estúdio para uma igreja desativada no Harlem, a fim de criar as pinturas. Era o único espaço grande o suficiente, encontrado por ela, para abrigá-las. Para completar as obras gigantes, a artista – que nasceu na Etiópia e trabalha em Nova York – também teve que ampliar suas ferramentas, buscando pinceis maiores e mais longos.

Embora as pinturas estejam entre as encomendas mais esperadas do ano, seu conteúdo permaneceu como um segredo bem guardado por muito tempo. (A primeira e única sugestão do que elas se pareceriam veio através de uma foto parcial em uma longa história do New York Times sobre esta encomenda, no mês passado).

Agora, o público pode finalmente ver as telas em toda a sua glória. As composições extensas são preenchidas com elementos em tinta preta que, em alguns lugares, se assemelham a hieróglifos, caligrafia e até partes de corpos – uma reviravolta recente para a pintora abstrato. Rosas, azuis e laranjas estão obscuros em segundo plano.

A incursão de Mehretu na figuração foi antecipada por um corpo de trabalho que estreou na Marian Goodman Gallery, no ano passado. Mas esta paleta vibrante é um novo desenvolvimento. Depois de anos de trabalho em tons mais silenciosos, ela reintroduziu as cores ricas pelas quais ela se tornou conhecida, quando emergiu no início dos anos 2000.

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A preparação das telas

As pinturas são construídas, literalmente, na idéia do Oeste Americano como um lugar de grande possibilidade e grande destruição. “Nós falamos muito sobre o que está acontecendo aqui [em San Francisco]agora”, diz Garrels. “Como eu disse a Julie, sinto que estou vivendo em uma nova corrida do ouro, com jovens que fluem para a Bay Area vindos de todo o mundo para fazer suas fortunas”.

Para criar as composições, Mehretu compilou imagens de paisagens do Ocidente criadas por artistas como Albert Bierstadt e Frederic Edwin Church. Ela justapôs as imagens com fotos de jornais de recentes tumultos e protestos, originados depois que policiais atiraram contra um homem negro – um lembrete de que o sonho americano não está igualmente disponível para todos. Então, expandiu estas imagens até que se tornassem pixeladas e quase irreconhecíveis, e as imprimiu em telas.

De volta ao Harlem, Mehretu e sua equipe revestiram as telas, camada sobre camada, em acrílico transparente “para criar a sensação de que essas imagens estavam incorporadas à tela”, diz Garrels. Quando terminaram o processo de um mês, as superfícies “eram lisas como o vidro”.

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Pintura nas alturas

Ela começou a se dedicar a pintura nos meses que seguiram às eleições presidenciais. “Eu não acho que haja uma referência entre as eleições e as pinturas, mas você sente uma turbulência, uma qualidade inesgotável”, diz Garrels.

Mehretu esteve em constante transição, entre o elevador e o chão, para ver como cada marca contribuía para o grandioso conjunto. “Há algo muito intenso sobre estar envolvido no que você está trabalhando – é difícil para mim imaginar o que isso faz sentir”, observa Garrels.

Com a jornada agora encerrada, as obras estão programadas para permanecerem em exibição por pelo menos três anos. No final desta semana, Garrels irá apresentá-las ao comitê de aquisições do museu, na esperança de que elas possam se tornar uma parte permanente da coleção. Ele espera um resultado favorável. “Meu senso é que eles vão se tornar parte deste museu”, diz ele.

Fonte: Touchofclass