“No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos” traz mais de 200 obras de um dos mais importantes artistas do modernismo brasileiro

Considerada uma das principais mostras a ocupar a Pinacoteca este ano, a retrospectiva apresenta um panorama da produção de Emiliano Di Cavalcanti, artista nascido no Rio de Janeiro, um dos ícones do modernismo brasileiro. A exposição entra em cartaz no mês em que se comemora os 120 anos de nascimento do artista.

Entre pinturas, desenhos e ilustrações, serão exibidas mais de 200 obras, realizadas ao longo de quase seis décadas de carreira e que hoje pertencem a algumas das mais importantes coleções públicas e particulares do Brasil e de outros países da América Latina, como Uruguai e Argentina. A exposição permanece em cartaz até 22 de janeiro de 2018.

"Bordel", de Di Cavalcanti, que estará exposta na mostra da Pinacoteca

“Bordel”, de Di Cavalcanti, que estará exposta na mostra da Pinacoteca

Obras icônicas e outras pouco vistas estarão distribuídas em sete salas do primeiro andar da Pina Luz, sob a curadoria de José Augusto Ribeiro. Segundo o pesquisador, a exposição pretende investigar como o artista desenvolve e tenta fixar uma ideia de “arte moderna e brasileira”, além de chamar a atenção para a condição e o sentimento de atraso do Brasil em relação à modernidade europeia no começo do século XX. “Ao mesmo tempo, o título se refere aos lugares que o artista costumava figurar nas suas pinturas e desenhos: os bordeis, os bares, a zona portuária, o mangue, os morros cariocas, as rodas de samba e as festas populares – lugares e situações que, na obra do Di, são representados como espaços de prazer e descanso”, explica Ribeiro.

Além da atuação pública de Di Cavalcanti como pintor, a mostra destacará também aspectos menos conhecidos de sua trajetória, como as ilustrações e charges para revistas, livros e até mesmo capas de discos. Também será abordada sua condição de mobilizador cultural e correligionário do Partido Comunista do Brasil (PCB). “Esse engajamento reforça o desejo de transformar o movimento moderno em uma espécie de projeto nacional”, completa Ribeiro.