Exposição em Londres apresenta obras que fizeram parte da coleção do Rei Charles I, de artistas como Rubens, Ticiano e Rembrandt

A partir deste mês, a Royal Academy of Arts, em parceria com a Royal Collection Trust, apresentará “Charles I: King and Collector”, uma exposição histórica que reúne uma das mais extraordinárias e influentes coleções de arte já existentes. Durante seu reinado, Charles I (1600-1649) adquiriu e encomendou obras-primas excepcionais do século XV ao XVII, incluindo trabalhos de Van Dyck, Rubens, Holbein, Ticiano e Mantegna, entre tantos outros.

Charles I foi executado em 1649 e, poucos meses depois, sua coleção foi oferecida para venda e dispersa em toda a Europa. Embora muitos trabalhos tenham sido recuperados por Carlos II durante a Restauração, outros agora formam o núcleo de coleções como as do Museu do Louvre e do Museu Nacional do Prado. “Charles I: King and Collector” reúne pela primeira vez desde o século XVII cerca de 150 das obras mais importantes, proporcionando uma oportunidade sem precedentes para experimentar a coleção que mudou a valorização da arte na Inglaterra.

Em 1623, dois anos antes de sua ascensão ao trono, o príncipe Carlos visitou Madri. A coleção Habsburg impressionou o futuro rei e ele voltou para a Inglaterra com várias obras, incluindo pinturas de Ticiano e Veronese. Com a intenção de criar sua própria coleção, ele adquiriu a estimada coleção Gonzaga, que havia sido acumulada pelo Duque de Mantua. Ele também fez encomendas a artistas importantes, especialmente a Anthony van Dyck, que foi nomeado “principalle Paynter in Ordenarie to their Majesties” em 1632.

Em 1649, a coleção de Charles I compreendia cerca de 1.500 pinturas e 500 esculturas. Um inventário compilado por Abraham van der Doort (c.1580-1640), primeiro pesquisador da The King’s Pictures, registrou o conteúdo da coleção, fornecendo uma descrição detalhada dos gostos artísticos e alto nível de conhecimentos dentro do círculo do rei.

“Charles I: King and Collector” incluirá mais de 90 obras emprestadas pela Royal Collection. Outras obras devem vir de coleções como a da National Gallery (Londres), Louvre (Paris), Museu Nacional do Prado (Madri) e inúmeras outras coleções públicas e privadas.

Charles I on Horseback with M. de St Antoine (1633), de Van Dyck

Charles I on Horseback with M. de St Antoine (1633), de Van Dyck

Os retratos monumentais do rei e da família, pintados por Anthony van Dyck, são o centro da exposição: sua primeira grande encomenda, ao chegar na Inglaterra, “Charles I and Henrietta Maria with Prince Charles and Princess Mary” (‘The Greate Peece’), 1632 (The Royal Collection), e seus dois magníficos retratos equestres, “Charles I on Horseback with M. de St. Antoine”, 1633 (The Royal Collection), e “Charles I on Horseback”, 1637 (The National Gallery, Londres). Eles serão mostrados em conjunto com o retrato mais famoso e emocionante de Van Dyck do rei, Charles I (‘Le Roi à la chasse’), c.1635 (Musée du Louvre, Paris), que retornará para a Inglaterra pela primeira vez desde o século XVII.

Charles I encomendou obras a alguns dos artistas mais importantes de sua época, como Rubens, Mantegna, Correggio, Agnolo Bronzino, Jacopo Bassano, Tintoretto e Paolo Veronese, assim como Albrecht Dürer, Jan Gossaert, Hans Holbein the Younger e Pieter Bruegel the Elder.

Christopher Le Brun, presidente da Royal Academy of Arts, disse: “Charles I é um dos maiores colecionadores da história, a Royal Collection é uma das maiores coleções do mundo e as galerias da Royal Academy estão entre as melhores do mundo. Com essa combinação, a exposição oferece o início perfeito para as celebrações do nosso 250º aniversário em 2018”.

Andrea Mantegna, Triumph of Caesar: The Vase Bearers, c.1484-92.

Andrea Mantegna, Triumph of Caesar: The Vase Bearers, c.1484-92.

“Charles I: King and Collector” foi organizada pela Royal Academy of Arts em parceria com a Royal Collection Trust e permanece em exibição até 15 de abril. A mostra tem curadoria de Per Rumberg, (Royal Academy of Arts) e Desmond Shawe-Taylor (pesquisador da The Queen’s Pictures). A exposição será acompanhada de um catálogo abrangente editado por Per Rumberg e Desmond Shawe-Taylor, além de outros nomes como David Ekserdjian, Barbara Furlotti, Erin Griffey, Gregory Martin, Guido Rebecchini, Vanessa Remington, Karen Serres, Lucy Whitaker e Jeremy Wood.