Com um terço dos lotes vendidos acima das estimativas, os resultados foram robustos – mas deixaram espaço para sonhos maiores

Constantin Brancusi’s La jeune fille sophistiquée (Portrait de Nancy Cunard) (1932). Courtesy of Christie’s.

O leilão de arte impressionista e moderna da Christie’s, em Nova York, realizado na última semana, talvez pudesse ser melhor resumido através da venda de um de seus principais lotes. “La jeune fille sophistiquée (Portrait de Nancy Cunard)”, obra de 1932 de Constantin Brancusi, tinha valor estimado em torno de US$ 70 milhões, mas acabou sendo arrematado por US$ 71 milhões.

Daí em diante, o leilão desenrolou com poucas surpresas. Contra uma estimativa pré-venda que girou em torno de US $ 437,8 milhões, arrecadou US$ 415,8 milhões, estabeleceu dois recordes mundiais em leilões e alcançou uma impressionante taxa de vendas de 89%.

No entanto, três trabalhos foram retirados da venda entre segunda-feira passada e o primeiro lance da noite de vendas. O leiloeiro Adrien Meyer anunciou no início do evento que um Chagall, que seria o sétimo lote, saiu do pool de ofertas, juntando-se a dois trabalhos de Picasso, do magnata do cassino e ao mega-colecionador Steve Wynn, retirados na semana passada.

Se acaso a casa houvesse garantido Le Marin (1943) e Femme au chat assise dans un fauteuil (1964) – o curso da noite poderia teria subido algo em torno de US$ 105 milhões. Isso poderia ter feito com que o total final de vendas passasse de saudável para extravagante, com as vendas tomando um rumo diferente.

Joan Miró’s Femme entendant de la musique (1945). Courtesy of Christie’s.

Joan Miró’s Femme entendant de la musique (1945). Courtesy of Christie’s.

Embora a comparação deva ser cautelosa ao confrontar dois leilões sob o mesmo apelo de vendas, a edição deste ano da venda impressionista e moderna superou tranquilamente o total de US$ 289 milhões do ano passado. Também bateu o leilão noturno da mesma categoria na Sotheby’s, que arrecadou apenas US$ 307,4 milhões no total – mais da metade graças à venda de Nu couché (sur le côté gauche), de Amedeo Modigliani, por US$ 157 milhões.

Os lances e as vendas foram distribuídos de maneira muito mais uniforme entre as ofertas da Christie’s. Aproximadamente um terço dos lotes foram vendidos acima de suas altas estimativas, uma vez que as taxas foram computadas. Além do bronze de Brancusi, Suprematist Composition de Kazimir Malevich (1916) foi vendido por US$ 85,8 milhões. Outro destaque esperado, Femme Entendant de la Musique (1945), de Joan Miró, rendeu quase US $ 21,7 milhões, cerca de 50% acima de sua alta estimativa de US$ 15 milhões.

Pablo Picasso’s Deux nus (1962). Courtesy of Christie’s.

Pablo Picasso’s Deux nus (1962). Courtesy of Christie’s.

Enquanto a competição pelos primeiros lotes não atingiu os níveis de frenesi, houve uma intensificação na busca por obras subvalorizadas. Entre elas estavam L’Italienne, de Edouard Manet (1860), que Andrew Fabricant, da Richard Gray Gallery, assegurou em nome de um cliente remoto, ao preço de US $ 11 milhões – mais que o dobro de sua estimativa de US$ 5 milhões. Deux nus (1962), de Picasso, passou para US$ 2,8 milhões, contra uma estimativa de pré-venda de US$ 700 mil a US$ 1 milhão (para um licitante via telefone representado por Eric Widing, vice-presidente de American Art de Christie’s, que reprisou seu papel para o mesmo comprador em um Chagall de US$ 7,1 milhões, alguns lotes mais tarde). Stehende Rückenakt (1910), de Egon Schiele, mais do que triplicou sua alta estimativa de US$ 1 milhão, atingindo US$ 3,6 milhões.